A urgência que inicia quase toda obra

Sandro Divino
Engenheiro e autor da Escola de Governança do Dono
A urgência que inicia quase toda obra
Existe um momento muito comum quando alguém decide reformar ou construir.
Depois de algumas conversas e alguns orçamentos, surge uma sensação de urgência.
A obra precisa começar logo.
Talvez porque o prazo parece apertado. Talvez porque o ambiente precisa ser utilizado. Talvez simplesmente porque o processo já está cansando.
Então surge a frase que costuma marcar o início da execução:
"“Vamos começar e ajustamos no caminho.”"
Naquele momento, a decisão parece pragmática.
Mas ela costuma ser o ponto onde muitos problemas da obra começam a se formar.
A crença dominante
No imaginário popular, existe uma ideia muito difundida sobre obras: o importante é começar.
Se algo ainda não está completamente definido, isso pode ser resolvido depois. Se algum detalhe aparecer durante a execução, basta ajustar.
Essa lógica parece razoável porque a obra é vista como um processo essencialmente prático.
Primeiro se começa. Depois se resolve the restante.
O problema é que, em obra, many decisões não podem ser tomadas sem consequências depois que a execução já começou.
O erro invisível da execução prematura
Quando uma obra começa antes que as decisões estejam estruturadas, algo importante acontece.
A execução passa a criar pressão sobre decisões que ainda não foram tomadas.
Cada nova etapa exige respostas rápidas.
- Qual acabamento será usado.
- Como determinada solução será executada.
- Quando determinado pagamento deve acontecer.
Sem uma estrutura prévia, essas decisões passam a ser tomadas sob pressão.
E decisões tomadas sob pressão raramente são as melhores decisões.
Quando atividade parece progresso
Existe uma ilusão muito comum em obras.
Quando pessoas estão trabalhando, materiais estão chegando e paredes estão sendo modificadas, parece que a obra está avançando bem.
Mas atividade não é necessariamente progresso.
Em muitas obras problemáticas, o que acontece é o contrário.
A execução avança enquanto as decisões ainda estão sendo improvisadas.
Isso gera três efeitos muito conhecidos.
- Retrabalho.
- Mudanças inesperadas de custo.
- Conflitos entre expectativas diferentes.
O ciclo do improviso
Quando decisões importantes não foram estruturadas antes da execução, a obra entra em um ciclo difícil de interromper.
Primeiro surge uma dúvida técnica. Depois surge uma solução improvisada.
Em seguida aparecem ajustes necessários. Esses ajustes geram novas decisões.
E assim o processo continua.
Cada improviso parece pequeno quando acontece. Mas ao longo da obra, eles acumulam custos, atrasos e desgaste.
O que acontece nas obras bem conduzidas
Quando observamos obras que transcorrem com tranquilidade, um padrão aparece.
A execução não começou imediatamente.
Antes dela, houve um período menos visível, mas fundamental.
O período em que decisões foram organizadas. O escopo foi esclarecido. As etapas foram estruturadas. Os critérios de entrega foram definidos.
Quando isso acontece, a execução deixa de ser um espaço de improviso.
Ela passa a ser um processo conduzido com direção.
O papel da estrutura decisória
Uma obra envolve muitas decisões.
Algumas são técnicas. Outras são financeiras. Outras dizem respeito a expectativas entre as partes.
Quando essas decisões são estruturadas antes da execução, três transformações acontecem.
- A obra ganha previsibilidade.
- Os profissionais ganham clareza.
- Os conflitos deixam de surgir com tanta frequência.
Isso não elimina todos os problemas. Mas muda profundamente a forma como a obra evolui.
A função do método
O método não existe para tornar a obra mais lenta.
Na verdade, ele existe para tornar a execução mais estável.
Quando decisões importantes são organizadas antes da execução, a obra avança com menos interrupções.
- Menos improviso.
- Menos retrabalho.
- Menos desgaste entre as partes.
A execução passa a acontecer dentro de um sistema de decisões previamente estruturadas.
Conclusão
Começar uma obra rapidamente pode parecer eficiência.
Mas quando decisões importantes ainda não foram estruturadas, a execução apenas antecipa problemas que surgirão mais adiante.
Na maioria das obras problemáticas, o erro não foi a execução em si.
O erro foi ter iniciado a execução antes de organizar as decisões que sustentam a obra.
Quando a ordem é respeitada, o processo muda.
Primeiro a decisão ganha estrutura. Depois a execução ganha direção.
"“Execução sem decisão estruturada não acelera a obra. Apenas antecipa os problemas.”"